Memórias afetivas a favor de uma boa alimentação

Oi pessoal! Hoje vamos falar sobre as memórias afetivas relacionadas aos alimentos.
No post anterior, falei sobre desenvolvimento de paladar e hábitos alimentares e, o assunto de hoje também tem relação com isso. Alguns podem pensar que esse tema, memórias afetivas relacionadas aos alimentos, pouco tem a ver com a nutrição, mas se pensarmos um pouco na nossa história, certamente cada um lembrará de alguma coisa gostosa, que até hoje te dá água na boca só de lembrar…
Eu tenho muitas memórias relacionadas a comida… na minha infância e adolescência, em cidade do interior de Santa Catarina, tínhamos uma alimentação a base de produtos naturais preparados em casa e os industrializados entravam com menor frequência, como por exemplo doces e refrigerante era algo de final de semana e olhe lá… Mas o que lembro com água na boca é do cheiro gostoso de comida na casa ao meio dia, quando chegava do colégio com aquela fome e da varanda já ia tentando adivinhar o que a mãe fez para o almoço. Lembro de ajudar a mãe a passar o pão no cilindro e roubar pedacinhos de massa crua para ir comendo (hoje não faria isso…) e depois aquele cheiro de pão assando, humm! E cheiro de bolo então, saindo do forno quentinho… gosto tanto que faço bolo toda semana, as vezes mais de uma vez por semana. E por aí vai, são tantas lembranças gostosas… quando comecei a montar um curso de alimentação infantil para os pais, fiz um resgate pessoal do que me motivava tanto em trabalhar com alimentação saudável, até porque, quando comecei a pensar nisso, me vinha a mente que na minha infância não tínhamos preocupação com o saudável. E até eu cursar a faculdade de nutrição, não tínhamos conhecimento de muita coisa sobre os alimentos. Então as escolhas eram feitas através da oferta e do que gostávamos. Mas refletindo sobre isso, me dei conta, de que mesmo sem ter o foco no saudável, o que me motivava eram memórias afetivas relacionadas aos alimentos. Além das que já contei, tem uma que acho muito legal de compartilhar: por volta dos 9 anos tive o diagnóstico de febre reumática e comecei a tratar, porém nessa fase tinha que fazer exames de sangue frequentes para verificar se o tratamento estava respondendo da forma que deveria. Então nos dias de exame meu pais me levava cedo e em jejum para a coleta de sangue e pensa que nem adulto gosta de exame de sangue né?! Mas eu ia feliz e contente! E sabe porquê? Porque meu pais fazia um “baita rango” (leite com achocolatado batido e sanduíche) para eu comer num piquenique no carro após o exame. Isso me reforça o quanto o alimento e o carinho com que se prepara pode dar novo sentido as situações.
Eu contei tudo isso, pra dizer que para ajudar na construção de bons hábitos alimentares com nossas crianças, porque hoje temos conhecimento da importância disso, temos que usar desse recurso tão valioso que são nossas memórias afetivas. E construir momentos gostosos com alimentos saudáveis que possam marcar na memória dos nossos pequenos. Envolver as crianças no cultivo de alimentos com pequenas hortas domésticas ou escolares, convida las a participar do preparo de refeições ou de preparações, e ainda ter alimentos saudáveis em momentos especiais como piqueniques, passeios, festas são formas de construir uma relação gostosa e prazerosa com diversidade de alimentos.
Eu e meu marido gostamos muito de sair com as crianças de bicicleta e passear pelo bairro. Então em nossos passeios fomos descobrindo árvores frutíferas e a cada época do ano temos alguma fruta para colher em nossos passeios… hora tem pitanga, acerola, outra hora tem amora, outra ainda tem goiaba… e assim vamos passeando, brincando, comendo e construindo memórias e hábitos que são pra vida!

Um comentário em “Memórias afetivas a favor de uma boa alimentação

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  1. Que demais ler tudo isso, Fabi!!!
    Pude me reportar à infância também e reexperimentar as diversas sensações que tornavam meus dias tão gostosos e felizes. Obrigada por compartlhar e nos fazer refletir sobre nossos comportamentos e nos mostrar a importância de tornar o alimento em algo tão especial

    Curtido por 1 pessoa

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